Para rezar bem, você precisa libertar o coração das preocupações e das ansiedades acumuladas durante o dia. Também é necessário afastar a mente dos pensamentos que o atormentam, sejam eles do passado ou do futuro.
Se possível, encontre um lugar calmo, longe do barulho que agita os sentidos e distrai a mente da meditação. Uma vez encontrado, acostume-se a rezar sempre no mesmo horário, às vezes corrigindo os maus hábitos de uma vontade enfraquecida.
Agora comece a rezar e a meditar sobre o sacrifício de Jesus. No íntimo do seu coração você encontrará a chama que aquece a sua alma. Eleve sua súplica pelas suas fragilidades e pelas dos outros. Abra o seu coração ao amor de Deus. Louve-o com salmos. Agradeça por todas as infinitas graças recebidas.
Jesus vive ao seu lado, escuta você, consola você e o convida a segui-lo. E você, em oração, o escuta e não ficará decepcionado pelas imensas graças derramadas sobre você.
Jesus é o Amor. Se você entrar em comunhão com Ele, será amado por Ele na medida em que o amar. A alma que ama e que acolheu o Amor na morada onde reside o próprio Amor pode falar com Ele: a oração é esse diálogo.
Jesus não resiste ao amor que suplica; “Ele faz a vontade daqueles que fazem a sua vontade”, diz o salmista. É ao amor que se devem essas comunicações divinas, que arrancaram de seus beneficiários exclamações tão alegres: “Senhor, eu te peço, faz transbordar o teu amor... Eu não posso suportar mais!”.
Jesus chama as almas que rezam com uma força irresistível, une-as a si, guarda-as no íntimo do seu Coração de Amor, que é o seu próprio Ser, e recebe delas hinos de louvor e adoração ardente.
Pensar na união com Deus por meio da oração pode parecer uma audácia blasfema, se não uma ofensa à Majestade divina; mas, se a Misericórdia infinita se dignou conceder esse dom extraordinário, alegremo-nos.
Quando a alma entra em comunhão com o Pai e o Filho, por meio do Espírito Santo, as disposições interiores permitem-lhe adquirir um vivo sentido da transcendência divina. Contemplando o Infinito, a alma se sente extraordinariamente pequena, fraca e impotente.
Fica como que aniquilada diante da Majestade e da Santidade de Deus e, num instante, aprende a conhecer o próprio nada. Então exclama como Pedro: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador”.
À luz de Deus, a alma vê em si mesma apenas trevas e miséria; sente com força que se apresenta a Ele de mãos vazias, pois revê diante dos próprios olhos o passado carregado de pecados, infidelidades e resistências ao Amor.
Diante do Três vezes Santo, descobre que o dom de Deus é absolutamente gratuito. No reino sobrenatural, de fato, ela não tem direito a nada: tudo é presente da misericórdia divina.
Quando sua fé foi posta à prova, quando se arrastou, miserável e dolorida, numa aridez espiritual, nem sempre conseguiu afastar um pouco de ressentimento e amargura. Às vezes esteve perto de questionar a Deus por tê-la deixado naquele estado.
E, se de tempos em tempos uma luz vinha iluminar as trevas, parecia-lhe natural que Deus lhe concedesse tais consolações. Ainda não tinha compreendido que, no cristianismo, tudo é dado gratuitamente e tudo vem do alto. Ainda não tinha entendido o que significa “o dom de Deus”.
Mas, quando se abre a Deus, sente que a ação divina a envolve, que Deus se comunica a ela, e não pode deixar de se deixar invadir pelo Amor infinito.
O impulso instintivo da alma seria então tocar em Deus, agarrá-lo para si; mas, mais uma vez, aprende, à própria custa, que não tem poder para chegar a Deus por sua própria vontade.
Deus a surpreende: Ele se entrega à alma somente quando quer, como quer e segundo a sua vontade. Não há meio mais eficaz para a alma adquirir um sentido maior da imensa grandeza de Deus. “Se eu conhecesse o dom de Deus!”.
Finalmente, e talvez acima de tudo, ela recebe a convicção de que a ascensão espiritual se realiza somente por meio de Jesus, n’Ele e com Ele. A alma sabe que, por si mesma, não poderia elevar-se: Jesus a transformou completamente, elevou-a ao nível da vida divina e a introduziu nela.
O Divino Mestre mereceu essa graça extraordinária, concede essa graça à alma e a comunica continuamente. Depois de tê-la incorporado a si, Jesus a associa à sua própria vida, àquela vida que Ele difunde e vive em seu Corpo Místico, a Igreja.
Assim, vivendo a vida de Jesus, a alma se apresenta à Santíssima Trindade como um dos membros de Jesus, unida aos outros, a todos os santos e, antes de todas as criaturas, à Virgem Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.
Com Jesus, a alma ousa dirigir sua oração ao Pai, participando da oração do Filho, de sua oferta e de seu amor filial, inspirados pelo Espírito Santo. O Espírito Santo ensina a alma a conhecer o Pai e o Filho, a falar com Eles com simplicidade e imensa confiança.
Ela já não tem medo, porque se sente em família, verdadeira filha do Pai Celeste. A oração é particularmente adequada e muito eficaz, quando feita com fé, para aqueles que desejam receber a graça do amado Jesus.
No livreto que oferecemos gratuitamente, há muitas orações adequadas para cada tipo de pedido.
Nas tribulações, nas angústias, no medo, meu grito se eleva a ti como o dos apóstolos no barco, à mercê da tempestade: “Mestre, estamos perecendo!”. Então tu ameaçaste o vento e o mar, o vento se acalmou e fez-se grande bonança. Acalma as tempestades da minha alma e afasta os meus temores. Livra-me dos medos que não me deixam em paz.
Na agonia da doença e da dor, quero suplicar-te como o leproso que tocaste. Tu te aproximaste, tocaste-o e disseste: “Eu quero, fica limpo!”, e ele foi curado. Aqui estou, esperando que estendas a tua mão e me toques.
Quando a gravidade da doença tiver apagado toda esperança, quero gritar como o cego de Jericó: “Filho de Davi, Jesus, tem piedade de mim!”. E, embora muitos o repreendessem, ele gritava ainda mais forte. Então tu o chamaste e disseste: “O que você quer que eu faça?”, e ele foi curado.
Não importa se muitos querem que eu me cale: não quero perder a minha esperança nem desanimar, mas gritar ainda mais alto: “Jesus, tem piedade de mim!”. Anseio que tu me perguntes: “O que você quer que eu faça?”.
Tu salvaste os apóstolos quando estavam cansados e abatidos pelas ondas no barco, porque o vento era contrário. Caminhaste sobre as águas e disseste-lhes: “Coragem, sou eu, não tenham medo”.
A Pedro, que queria ir ao teu encontro, disseste: “Vem!”. Quando, por causa do vento forte, ele teve medo e começou a afundar, tu foste em seu auxílio e estendeste a mão. Assim que subiste ao barco, o vento cessou.
Se eu for ao teu encontro e começar a cair no abismo do desespero e a fé me faltar, apressa-te em me socorrer, estende-me a tua mão e salva-me. Vem, Jesus, porque onde tu estás o mal não pode permanecer.
Tu curaste todas as doenças, respondeste a todo grito, te inclinaste sobre toda miséria. Ao cego devolveste a visão, aos surdos o ouvir, aos mudos a palavra, aos coxos a saúde, aos mortos a vida.
Agora escuta o meu clamor incessante: “Vem, Jesus, cura-me!”. Em teu nome, Jesus, está firmado o teu poder, e só a tua presença pode curar-me.
Venho à tua presença, Senhor Jesus. Mesmo sendo pecador, confio em ti. Não olhes para os meus pecados; perdoa-me, lava-me com o teu sangue e serei libertado.
Escuta o grito de socorro que sobe do meu coração. Salva a minha alma, cura-me desta aflição e deste sofrimento. Toca-me e serei curado.
Obrigado, Jesus, por tudo o que estás fazendo por mim. Obrigado pelo teu amor.