🌿 O Mistério da Conversão de uma Alma
Mestre, escrevo enquanto olho para um quadro que te representa na Última Ceia com os teus doze apóstolos. Abaixo do quadro, no sofá, vejo na minha memória minha mãe sentada, com aquela expressão sofrida por causa da doença. Hoje, porém, sinto essas emoções no meu coração e na minha alma com paz, porque sei que ela está contigo, sob tua proteção. Tu, Senhor, a amas, sempre a amaste, a proteges, e agora ela está perto de ti, que és eternidade.
Agradeço porque ela foi uma mãe maravilhosa. Tenho fé em ti e sei que estás perto de mim. Tu, minha luz, soubeste guiar o Corrado até mim quando eu estava longe de mim mesma e longe de ti. Confesso que, no início, eu não compreendia o que ele dizia sobre ti. Apenas respondia “sim”, guardando tudo dentro de mim e meditando. Só mais tarde eu conseguia entender.
Eu sei que, por meio dele, tu me salvaste. Eu estava me afogando nas trevas, e tu me puxaste pelos cabelos antes do último suspiro. Ele rezou por mim, e eu te vi com uma túnica branca, esperando que eu dissesse: “Salva-me”. Tu te aproximaste e senti tua mão direita sobre minha cabeça:
“Levanta-te, Jerusalém! Joga fora a tua tristeza.”
Chorei de alegria.
Meu Jesus, eu estava com raiva de ti e do mundo inteiro. Meus dias eram um peso, e minhas noites, muitas vezes, pesadelos. Agora te sinto. Sinto Paz. Sinto Amor. Minha oração é um louvor a ti e a Maria. Receber-te na missa, em comunhão contigo, é alegria para a alma. Quando entro na tua igreja, sinto-me protegida, em diálogo contigo.
Na quarta-feira, quando soube que precisaria passar por uma cirurgia, eu disse: “Senhor, te ofereço meus sofrimentos. Seja sempre feita a tua vontade, e não a minha.”
Mestre, não me sinto triste, porque agora vejo tudo como sinais. Eu não percebia que caminhava para a autodestruição. Todo o mal que dominava meu espírito, gota a gota, estava destruindo minha carne - e eu não entendia.
“Corrado, obrigada! Abri os olhos e percebi o quanto eu estava doente!”
Só posso dizer a ti, Mestre, e ao Corrado: “Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa.” Eu já não conseguia rezar, e agora mal tenho voz porque minha garganta está doente. Eu desejava uma família, um homem para não me sentir sozinha, mas até meu ventre está doente.
No meu último telefonema com o Corrado, ele me fez uma pergunta sobre confiança: “Diga um nome de um amigo em quem você confia cegamente.” Respondi: “Não confio em amizades.” Depois disso, perguntei a mim mesma: “Como posso confiar, se não confio em ninguém? Como posso amar, se não me amo?”
Jesus, tu te revelaste. Venceste minha surdez interior. Ter fé em ti é receber imediatamente a resposta “sim” à graça que te imploramos. Eu creio, Senhor, que tudo acontecerá para o meu bem, porque tu estás comigo. Quero viver minha vida contigo e mostrar aos outros que a verdadeira felicidade está somente no teu Amor. O Amor supremo é esperança. O Amor faz milagres.
Ontem, Mestre, eu estava na montanha e participei da missa dominical. Na igreja havia um belíssimo quadro da Madona das Três Colinas, envolvendo com seu manto branco todas as montanhas ao redor. Naquele instante, senti-me também envolvida por aquele manto. Meu coração palpitava e lembrei do Corrado, dos irmãos do Mosteiro, de todos que me querem bem e daqueles que, naquele momento, sofriam - inclusive do meu próprio sofrimento. Continuei repetindo:
“Obrigada, obrigada, obrigada…”
Esta é novamente a minha vida!
Nestes dias, o Senhor me permitiu encontrar jovens que perderam os pais e também uma amiga de infância. Vi nos olhos deles a mesma raiva que eu carregava. Sei que não é culpa tua, Senhor. Tu venceste a morte. Tu mesmo disseste: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice.”
Com delicadeza tentei consolá-los, mas antes pedi tua ajuda. E fui escutada, porque sei o que significa perder alguém amado.
Jesus, como eu poderia testemunhar que tu és Esperança, se tu não tivesses me tornado digna de ser acreditada?
Lembro as palavras do Corrado: “Giulia, tudo tem um sentido.” Ele me falou muitas vezes sobre talentos. Eu sempre dizia que não tinha nenhum. Ele respondia que isso é impossível, que todos têm.
Com tua ajuda, consegui consolar e oferecer palavras de luz. Naquele momento, as lágrimas deles cessaram. Mestre, isso é talento?
Em breve terei meu diálogo com o Corrado, meu Professor de Esperança. Agradeço por este irmão, que faz maravilhas contigo. Louvo-te por ele, porque um dia estará no teu céu. Ele me levou até ti. Concede-lhe todas as graças necessárias para ajudar ainda muitas almas.
Senhor, esta nova chamada ao sofrimento é para mim um sinal de purificação. Ofereço-te este sofrimento, porque tu sabes o que significa sofrer. Tenho fé em ti, e essa mesma fé me une ao Corrado e aos irmãos do Mosteiro Invisível de Caridade e Fraternidade. Do meu coração nasce este canto:
“Te agradeço, meu Senhor, não tenho mais medo,
porque com minha mão na mão dos meus amigos,
não sinto cansaço e olho para frente,
porque na minha estrada tu estás.
Deixei para trás todos os medos e dúvidas,
porque uma grande alegria sinto no coração
quando penso no quanto és bom, meu Senhor.
Fizeste os céus, o sol, o mar, as flores…
Mas o mais belo dom que me deste, meu Senhor,
FOI A VIDA e o teu Amor.”
Saúdo-te, Corrado, porque me explicaste que todos nós fazemos parte da Criação. O Senhor cuida de todos… Até uma rosa no meio do lixo continua sendo uma rosa.
Obrigada. Gosto de você - aliás, gosto de vocês.
Um abraço com imenso afeto.